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CIDADÃO COMUM (1): ESTE SER (CON)FU(N)DIDO Por Genival Ferreira* Leis, Decretos, Normas, Portarias, Resoluções, Placas, Sinaleiros, Faixas, Cartas de Intenções, Protocolos, Tratados, Códigos Setoriais, Acordos, Contratos e Ordens de Serviços esse é o conjunto de instrumentos jurídico-legais criados pela sociedade para a convivência pacífica e harmônica do povo. No Brasil a impressão que dá é que contamos com o excesso desses instrumentos e me parece que a coisa tende a piorar. Sempre insisto: Cuidamos das Leis, mas esquecemos de priorizar a Educação. Quando o país insistiu que a solução dos seus problemas era uma nova Constituição, eu sempre discordei, sem admitir que a Carta Magna deixasse de ser importante para todos nós brasileiros. A coisa que sempre argumentei é que sem Educação não tem conjunto de Leis que alcance seus objetivos mais nobres que é a promoção da Justiça e a equalização dos interesses dos grupos sociais. Dia desses em passagem num posto de Polícia de Trânsito lá em Jaboatão dos Guararapes, próximo ao Quartel do"14 RI", fui parado por um policial de trânsito sob a alegação de havia ultrapassado um outro veículo que fazia transporte alternativo de passageiros. Embora tenha argumentado respeitosamente à autoridade policial que o que eu havia feito era irrelevante e jamais merecia perder minha carteira de habilitação, – como fui ameaçado, pois eu era apenas um cidadão comum passante, vivia do meu trabalho e estava me dirigindo a ele. Não sei por que cargas d’água, o policial sugeriu que minha lanterna de dois contatos estava sem piscar o que geraria uma outra multa para complementar a exigência inclusive da apreensão do meu carro. Irritei-me e cheguei a CHORAR de indignação, quando perguntei se ele permitia que eu colocasse a lâmpada que eu dispunha no porta luvas e ele categoricamente me disse: NÃO! Comecei então a argumentar pelo menos em três justificativas que considero ABSOLUTAMENTE COERENTES: 1) – que não havia ultrapassado os 40 km/h legais da área e conseqüentemente não ofereci qualquer tipo de perigo ao bem estar de outras pessoas; 2) – que não havia nenhuma placa alusiva à existência de um Posto de Polícia de Trânsito no local; e 3) – que me encontrava naquele momento preocupado com a minha hora de chegada à Universidade Federal de Pernambuco para dar aulas e contribuir VERDADEIRAMENTE PARA O PROGRESSO DO MEU ESTADO E DO MEU PAÍS. Sim Professor, mas o senhor cometeu FALTAS GRAVÍSSIMAS! Para não me estourar de raiva cheguei a perguntar-lhes: "Sargento o senhor tem idéia de quantos marginais já passaram por aqui hoje, enquanto o senhor está tentando crucificar um cidadão comprometido realmente com o progresso do país?" E ele me respondeu cinicamente: "Com certeza foram muitos!" FDP! (Foi Demais Pernambuco!) Pensei comigo: "O Cidadão comum está (CON)FU(N)DIDO!" A quem reclamar? À Polícia? Ao Secretário de Defesa Social? Ao Juiz? Ao Governador? Ao Presidente da República? À minha Santa Mãe, Dona Naninha? Insisto: O CIDADÃO COMUM É UM SER REALMENTE (CON)FU(N)DIDO, concluí inteligivelmente! No meu queridíssimo Sertão o Cidadão Comum que for apanhado com um pássaro silvestre no seu bisaco será preso, pois terá cometido um CRIME INAFIANÇAVEL. Sabe-se que a caça no Sertão é basicamente de subsistência. Ou seja, a falta de emprego leva as pessoas honestas a "matar passarinhos" (rolinhas que são especialmente abundantes), para complementar sua alimentação. Mas ao mesmo tempo os bandidos continuam matando pessoas, e desde que "livrem o flagrante" (segundo a mesma lei que considera inafiançável o "crime da rolinha") serão beneficiados; e se forem ricos ou a serviços destes, com certeza nem presos serão. Então, caro leitor, reflita: Estamos no Planeta dos Passarinhos ou estamos no Planeta dos Homens? Estamos no Planeta dos Bandidos ou no Planeta dos Homens de Bem? Acredito que, no mínimo, nossa legislação ou aplicação dela precisa ser revista, pois eu não consigo aceitar que um homem possa ser preso "com a rola na mão", quando outros tantos possam matar seus semelhantes e nada lhes ocorrer. Com todo humor que possa conter essa reflexão é extremamente desagradável para o cidadão comum ver ocorrer coisas do tipo que acabo de discorrer. Mas voltemos ao meu algoz Sargento de Trânsito, GUARDIÃO MAIOR DOS NOSSOS INTERESSES DE SEGURANÇA PÚBLICA, autoridade como só ele: O indivíduo começou a sugerir que ele era um "pai de família" e que muitas vezes fazia aquela exigência toda para tentar sensibilizar os condutores de veículos "e o senhor está nesse carrão bonito...". Pensei comigo: CÍNICO! SAFADO! FDP! (Foi Demais Pernambuco!) Comecei a sentir que estava sendo extorquido e me revoltei mais ainda! Fazer o quê? Dá-lhe a "bola" que ele queria? A mim mesmo respondi: NÃO! Pedir-lhe simplesmente que não me multasse? A mim mesmo respondi: NÃO! Sugerir que exercesse seu ofício de MULTADOR OFICIAL DO ESTADO, para depois me defender num JUDICIÁRIO que não confio? A mim mesmo respondi: NÃO! DECIDÍ: "Por favor, Sargento-Comandante-Chefe-Maior, emita as multas que se eu não conseguir pagá-las venderei o Carro, pois quando eu nasci em Sertânia, não possuía carro, mas mesmo assim eu escapei até os 24 anos, quando adquiri o primeiro!". Gostei de uma coisa: Ele ficou arretado com isso e me fez esperar muito tempo para extrair as multas, principalmente porque ele sabia que estava falando com um cidadão comum, mas graças a Deus esclarecido. Salve a Educação e o Conhecimento! Voltarei ao tema com outro Policial de Trânsito do Aeroporto Internacional dos Guararapes Gilberto Freyre, querendo intimidar o Radialista Genival Ferreira. Professor da Universidade Federal de Roraima
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