Eleições 2004 – Ruas Cheias: Que Beleza!

Mas Pago?! Que Horror!

Por Genival Ferreira*

Faz gosto observar as ruas do meu Recife e da maioria das cidades brasileiras (imagino), no dia das Eleições. Pensei Comigo: “Que festa fantástica os brasileiros proporcionam, em nome da Democracia!”

Ledo engano! Concluí mais tarde ao abordar vários “eleitores” e “eleitoras” com suas lindíssimas manifestações próximas aos locais de votação. Justiça seja feita: manifestações próximas aos locais de votação, mas absolutamente “dentro da lei”. Que maravilha!

Aí pensei de novo: “Fico contente ou triste com isso que vejo?” Infelizmente concluí que deveria ficar triste, pois todas aquelas lindíssimas manifestações têm fundo pecuniário, pois cada “eleitor” e/ou “eleitora”estava recebendo entre um mínimo de R$ 10,00(dez reais) e o máximo de R$ 30,00 (trinta reais), para exercer seu “direito” de voto e ainda pedir voto para seu Vereador ou Prefeito de “preferência”, fazendo o que se popularizou chamar de “boca de urna”.

Imaginei agora mais sério: “ISSO É MESMO UMA GRANDE FARSA!” . E eu que estava prestes a ir ao meu município votar (Sertânia fica a 313 km do Recife), resolvi justificar meu “direito obrigatório” de voto, pois do contrário o Governo brasileiro deixaria de creditar meu salário na UFPE ao final de um determinado mês.

Por que minha tristeza numa “festa tão bonita?” Pessimismo? Inveja de quem estava ganhando  algum dinheiro para “trabalhar”para seu candidato? Eu sou um grande filho da P...? Sou advogado do Diabo?

Nada disso! Eu apenas constatei em minha “pesquisa” sobre os motivos que levavam aquelas pessoas estarem tão envolvidas com os seus candidatos: “Eu preciso né?” “Nós tem que aproveitar e ganhar o leitim das criança, né?” “Oxente, eu vou é trabalhar que emprego tá difícil!”  “Lá em casa foi nós tudim: eu, meu pai, minha mãe e minha irmã!” E outros e outras reclamavam: “Muler cuidado que aquele fiscal chato tá vindo ali!”

             Que vergonha meu Brasil! Que vergonha Meu Pernambuco! Que vergonha Meu Recife! Que vergonha Minha Petrolina! Que vergonha minha Escada! Que vergonha minha Sertânia! Eu hein!?

Aí eu descobri que além do fiscal do “boca de urna” tem o supervisor do fiscal e o Supervisor dos supervisores, em alguns casos. 

Pensei mais uma vez: “Eita Brasilsinho arretado!”.

Bem empregado: Quem mandou imaginar que a Lei resolveria todos os nossos problemas? Passamos mais de vinte anos “desejando uma nova Constituição”, que segundo os políticos da época seria o caminho para resolver todos os nossos problemas. Quem mandou não priorizar a Educação, ao invés de um sistema legalista? Geramos problemas desse tipo: Eleição ao invés de ser uma manifestação espontânea, gera uma “guerra urbana” em busca de um “emprego de um dia” Prostitui! Não Educa! Político perde prestígio; e muitas vezes é sinônimo de trambique! Voto obrigatório é o que dá!

 DIREITO OBRIGATÓRIO pelo menos do ponto de vista contábil é um ATENTADO AOS PRINCÍPIOS DO FREI DOM LUCA PACCIOLI, pois segundo aquele religioso endeusado pelas Ciências Contábeis CADA DÉBITO CORRESPONDE A UM CRÉDITO, o que gerou de um lado os DIREITOS – e os bens (ATIVO) E DE OUTRO AS OBRIGAÇÕES (PASSIVO) – e Patrimônio Líquido. Mas DIREITO OBRIGATÓRIO somente nas eleições do Patropí, ao sul do Equador.

Vamos pelo menos obedecer a Epistemologia: Consertem a Lei – Votar ou é DIREITO ou OBRIGAÇÃO! Pelo menos poderemos corrigir o “Balanço Social” dessa hipocrisia. Pois jamais fechará o Balanço que tem ao mesmo tempo classificado um DIREITO QUE TAMBÉM SEJA OBRIGAÇÃO PARA UMA MESMA ENTIDADE.

 Levemos as pessoas às ruas sim! Mas convencidas que estão prestando um serviço ao país e não lhes aproveitando a fome para explorá-las com “pagas de boca de urna” indignas de qualquer cidadão do mundo. Eduquemos todas elas para mostrar-lhes a importância dos homens públicos bem intencionados e o poder que eles têm de contribuir com o progresso constante do nosso país. Façamos um País verdadeiramente Democrático, mas com apelo educacional, verdadeiramente ético, buscando o interesse coletivo em detrimento do interesse individual. Orgulhemos dos nossos políticos verdadeiros e rechacemos os falsos homens públicos. Enquanto a Forma se sobrepor à Essência teremos muitas dificuldades de conseguir o pleno desenvolvimento do nosso povo. 

*Professor da UFPE e 
Presidente da Academia Pernambucana de Contabilidade

Para a Rádio Universitária AM 820 KHz
e Rádio Capibaribe do Recife – 1230 KHz