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FEDERALISMO SIM. Colonialismo Não!

Por Genival Ferreira*


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa! E vice-versa! Já dizia aquele cartola engraçado que o Brasil conhece: Vicente Matheus. Nos tempos de hoje e essa velocidade de globalização que o mundo experimenta não permitem mais aquela antiga lógica do centro-periferia. Nova York discriminava São Paulo, que discriminava Recife, que discriminava Sertânia, que discriminava Albuquerque – Né (Distrito mais chic de Sertânia), que discriminava o sítio de Tio Lulu... Invertendo o raciocínio era como se no Sítio de Tio Lulu a gente sonhasse que a vida em Albuquerque-Né era bem melhor; em Albuquerque-Né já se imaginava que o chic era viver em Sertânia; e em Sertânia sonhávamos com o Recife; no Recife com São Paulo; em São Paulo com Nova York. E em Nova York?

Parece que neste ponto a humanidade começou a sentir falta do Sítio de Tio Lulu.. É o Mito do Retorno de que fala a Ciência? É possível...

Agora as coisas simplesmente acontecem. Não importa onde. O Brasil, como de resto, todo o terceiro mundo, experimentou esse tipo de reflexão, que hoje é totalmente descabida. Isso era no tempo em que os europeus pós - descobrimentos nos ensinaram que feliz era o europeu; e os americanos do norte ensinaram a partir do período pós segunda guerra que o centro do mundo eram os "states".

Lamentavelmente no ambiente interno do Patropí ainda existem resquícios da Teoria Centro-Periferia, aplicada por nós mesmos na Guerra Fiscal, no Etnocentrismo de muitos políticos e naquelas regiões onde as desigualdades brasileiras são usadas contra nós mesmos.

O Pacto Federativo é uma construção jurídica de excelente bom gosto e de rara criatividade da humanidade. O cara que o concebeu, imagino, estava inspirado pelo Criador de Todas as Coisas. O problema que se apresenta é que muitas lideranças nacionais nem se quer desconfiam da importância dessa construção quer seja por pura ignorância quer por interesses escusos e de vez em quando deixam o valoroso Pacto correr graves riscos de manutenção.

Isso tudo ocorre nos altos escalões do Poder da República! Num país do tamanho do Brasil eu gostaria de conhecer os conceitos da Logística nacional, por exemplo, para compreender porque para se sair do Norte e do Nordeste em direção a Miami temos que ir a São Paulo! (?).

Já vi: Sou burro mesmo! Aprendi Geografia errado! Será que é porque foi em Sertânia, Caruaru e Escada? Deve ter sido!

Justificativas existem as mais estapafúrdias:

1) - é que distribuir passageiros do Recife para São Paulo, por exemplo, é "mais barato" do que pousar no Recife vindo de São Paulo em direção à Miami. Descobri que não entendi as aulas que recebi de Economia e Contabilidade da minha UFPE! Talvez se tivesse estudado na USP, teria compreendido;

2) – O volume de passageiros de São Paulo até Miami é maior do que do resto do Brasil. Com certeza vai continuar a sê-lo, pois tudo que se faz neste país "tem que passar por São Paulo".

Particularmente eu acho isso Colonialismo!

Caros leitores, vocês já imaginaram quais teriam sido as conseqüências da não construção de Brasília no Brasil? Simplesmente São Paulo e Rio de Janeiro já estariam "emendados", produzindo um fenômeno que tecnicamente chamamos de CONURBAÇÃO e um conseqüente desserviço ao País, à própria São Paulo e ao Rio de Janeiro. É preciso despertar para essa questão! Precisamos distribuir os investimentos no País como um todo para o nosso próprio Bem-estar e da própria questão Geopolítica. Precisamos ocupar o Brasil, para o nosso próprio bem! Vamos refletir sobre uma logística nacional em benefício de todos, para que possamos combater a desigualdade social e ampliarmos as garantias de segurança nacional. Do contrário o fantástico Pacto Federativo corre risco de rompimento a médio e longo prazo, o que só beneficiaria o imperialismo americano que "teme" pelo nosso potencial de futura grande potência mundial, pois já somos o MAIOR PAÍS DO MUNDO EM TERMOS POTENCIAIS!

Vamos desmistificar a Teoria do Centro-Periferia!

O ponto que o processo de Globalização se encontra não legitima mais esse raciocínio colonialista. Aliás, diga-se de passagem, que a tendência é justamente o contrário: constata-se, inclusive nos "States" que o interior está registrando taxas de crescimento maiores do que as cidades litorâneas, mostrando tendências das populações de buscarem melhor qualidade de vida.

Voltaremos ao assunto oportunamente

Professor da UFPE
Presidente da Academia Pernambucana de Ciências Contábeis
Radialista