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HAY QUE ENDURECER:

PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS

Por Genival Ferreira*

 

Dia desses vi na Televisão (ou foi no Jornal?), que Che Guevara jamais teria pronunciado a frase que acima aparece como título propositadamente parafraseado desta minha crônica. Não sei ao certo se era: HAY QUE ENDURECER SIN JAMÁS PERDER LA TERNURA ou se HAY QUE ENDURECER PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS. De um jeito ou de outro, resolvi fazer uma paráfrase (porque coloquei-a entre dois pontos, transformando-a numa sentença explicativa), dessa histórica citação atribuída a um grande Herói de Las Américas del Sur y Central. Um grande colaborador de Fidel Castro.

É que sempre acreditei que cabe, redondinho, em muitos setores da vida brasileira tal citação, que independente do seu DNA, o relevante é o que nela se encerra. Um sentido de Cidadania, de Pátria, de Responsabilidade Social e principalmente de ânsia por Justiça. Neste País dos contrastes climáticos, das desigualdades sociais, mas igualmente da paz, da alegria e da felicidade (Graças a Deus), parece até que Guevara o conhecia de perto para dizer (ou não disse?), tão marcantes palavras.

Recentemente num estabelecimento bancário local (permitam-me omitir o nome do banco), assisti uma cena que justificou perfeitamente aplicar a "regra de Che", para resolver um caso típico de impasse entre a gerente da agência e os clientes. É que segundo aquela empregada do banco, a empresa (ir)responsável pelos lançamentos dos créditos de salários dos funcionários de uma grande entidade pública federal, não havia repassado os arquivos eletrônicos, como era de praxe, embora todos os clientes daquele banco estivessem de posse dos seus contracheques, confirmando os valores dos seus salários que a entidade havia creditado, porque devido, a tão sofridos servidores públicos.

Dizia a gerente do banco: "...eu não tenho como fazer, a empresa responsável pela transferência eletrônica dos salários não procedeu os créditos dos senhores, por isso só quando o gerente de lá fizer o crédito é que eu posso liberar..." e blá blá, blá.

Determinado cliente falou indignado, absolutamente coberto de razão: ""... é engraçado, vocês não disponibilizam nosso salário, mesmo conhecendo os nossos saldos através dos contracheques, mas debitaram todas as taxas e empréstimos e consignações e por isso nossa conta está devedora..." Eu que assistia a isso tudo, como cliente que desejava fazer uma transação naquele banco, comecei a me indignar também, pois imaginei: a quem reclamar?

Tive um principio de pânico. Como viver numa sociedade que o cidadão comum se submete a toda sorte de azares, sem ter a quem reclamar? Ninguém é responsável por nada? Reclamar na empresa que não creditou! Na Delegacia de Polícia mais próxima! No disque – denúncia! Na Presidência da República! Coitado do cidadão comum, que vive honestamente do seu trabalho!

Enfrentar o dia a dia da BU®ROCRACIA brasileira é uma das tarefas mas ousadas de todos nós, cidadãos comuns do Patropí. Cada figura humana interpreta a Norma, a Lei, a Portaria e a Resolução de uma maneira diferente. Sempre ao seu modo e quase sempre contra os interesses do usuário honesto e trabalhador, que tenta sobreviver neste inferno legalista que transformaram meu Brasil.

Tergiversei (como diz José Telles), mas voltemos a nossa agencia bancária: Diante daquele quadro estimulei um cidadão a ENDURECER SEU DISCURSO, fazendo-o falar para a gerente que: "se até 14:00h (ainda eram 11:00h) daquele dia eu não estivesse em condição de sacar O MEU SALÁRIO, qualquer prejuízo que esse fato pudesse me causar, eu procuraria os meios legais (que não creio eficazes) e a própria Imprensa (que acredito mais), para fazer um verdadeiro "rebú" , pois aquilo tudo que estava ocorrendo com os correntistas daquele banco era uma indignidade!"

Para completar minha indignação, eu estava procurando por um cartão eletrônico de minha responsabilidade naquela agência cuja solicitação havia sido feita há mais de quatro meses, embora o funcionário do setor afirmasse categoricamente que não havia chegado. Depois descobri que o cartão se encontrava na referida agência desde os últimos 90 dias, confirmado pela própria gerente! Ao tentar desbloquear o "bendito" cartão, a central de informação insistia que ele estava com falhas. Imagino que deve ter sido pelo tempo que passou na agência, embora a promessa da agência houvesse sido de entregá-lo em casa do cliente.

Pensei comigo: 1) - Caso eu fosse um bandido já havia desbloqueado meu cartão com a ajuda de algum funcionário do próprio banco! 2) - O que mudou na minha vida nos últimos 120 dias por esperar aquele "IMPORTANTE CARTÃO"? Concluí a pergunta pensando: ABSOLUTAMENTE NADA! Então para que quero esta M.....? Quebrei-o na frente da gerência dizendo: "Veja quais são as pendências de financiamento que tenho com este banco que no próximo mês, virei aqui, para negociar e DEFINITIVAMENTE encerrar as transações que tenho mantido com ele".

Como já o cidadão estimulado por mim já havia ENDURECIDO com a questão do SAQUE DO SALÁRIO DELE, acabei dando força a algumas outras pessoas presentes (senão a todas) para que os problemas delas também fossem resolvidos, daí ter saído bastante TERNO, por observar que todas as pessoas gostaram daquelas atitudes firmes que meu espírito de Frei Caneca havia proporcionado e provocado; e no instante seguinte a gerente começou a liberar tudo que era de salário para todos os presentes.

Por isso eu insisto: HAY QUE ENDURECER PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS! E se eu fosse escoteiro, com toda certeza, teria ganhado naquele dia, algum Troféu de Boa Ação, pelo que fiz naquela agência bancária. Salve o Brasil!

 

 

* Professor da UFPE e
Presidente da Academia de Pernambucana de Ciências Contábeis