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MY LOVE OF MOXOTÓ 

CAPITAL: SERTÂNIA

Crônica (?) para uma só pessoa!

 

Por Genival Ferreira

 

“... Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto!”. (Belchior)

 

“... Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer TE AMO eu escrevo!”

(Eu)

 

Esta crônica foi um relato verbal que um amigo de Sertânia me fez e pediu para escrever por ele, pois lhe faltava inspiração para registrar O MAIOR AMOR DA VIDA DELE. Como se tratava de amor proibido ele disse “Gena, você usa uma linguagem que só eu e ela entendamos diretamente”.

 Entenda a Missão: Dizer ao mundo inteiro que ama uma mulher, mas o fato só precisa ser entendido por ela. O pronome EU utilizado ao longo do texto é do meu amigo, com o intuito de preservar pessoas. É como se escrever uma REALIDADE COMO SE FOSSE FICÇÃO. Muito estranho não?

(Genival Ferreira)

 

 E assim escrevi minha primeira crônica sob encomenda:

 

            Meu Tesouro, você já imaginou como as reflexões nos pegam de surpresa? Hoje fui pego assim. Quase dez anos depois! Se fosse em junho seriam exatamente 10 anos depois – dia dos namorados! Troca de presentes, CD para você – Não digo de quem, pois seria uma grande pista para outrem e isto só diz respeito a você; Caneta do SPORT para mim.

            Não dizíamos-nos namorados, pois nos proibiam! Que bobagem! Mas foi exatamente no Dia dos Namorados que com o simbolismo da troca de presentes estávamos ENAMORADOS! Só nós dois sabíamos! E a partir dali eram 626 quilômetros para ver você (313 de ida e 313 de volta, mas pareciam apenas 626 metros ou centímetros!). Todas as sextas ao meio dia no mesmo local (na recepção de um hospital de uma cidade vizinha, que omito o nome, pois seria outra pista e isto só interessa a nós dois).

            Depois, Bar do bode (era este o nome?). Tarde inteira, pois às 18 horas você precisava estar em casa na NOSSA CAPITAL!

            Eu estava com 45 e você com 22! Discutíamos que a distância era grande, você sempre diminuía um ano! (Lembra disso? ah!ah!Ah!). Esqueci algum detalhe?

            Ah sim: a quadrilha junina sob ameaça de que só seria marcada por mim se você fosse minha dama (você dizia que nem gostava de quadrilha, lembra?) e viesse com vestido de matuta (e não de calça comprida!). E você veio exatamente como eu imaginei! Era a nossa senha! A Senha do nosso amor. Aquele amor proibido (proibido por quem?).

A coisa mais linda do mundo! E eu abestalhado tive medo de cumprir nosso acordo, lembra? E numa daquelas sextas-feiras você chegou com aquele convite cujo evento você havia adiado pelo menos por um par de vezes, esperando que eu desse o sinal do nosso acordo, era um acordo de seis meses (lembra?). E eu abestalhado e medroso não enfrentei aquele compromisso. Compromisso apenas nosso e de mais ninguém!

            Quase dez anos depois escrevo esta crônica (quem disse que isto é uma crônica?). Isto é mesmo uma RE confissão de amor, via internet, aqui no site de Gena, PARA O MUNDO INTEIRO VER! Bendita Internet!

Na madrugada de hoje sonhei com você e exclamei: “que sonho bom!” Eu e você como há dez anos, nos beijando e ao lado de uma das pessoas que mais gosto na minha vida, que dirigindo o carro e fumando (essa pessoa nunca fumou) concordava com aquele nosso amor. Interessante é que você estava no banco da frente e eu no banco de traz e de repente o seu banco girava e você ficava de frente para mim e nos beijávamos calorosamente. Você de vestido, como no dia da quadrilha junina. Não o mesmo vestido daqueles festejos juninos.

Como você é MAIS linda de vestido! (Se tivéssemos casado, como o nosso acordo preconizava, eu lhe pediria para SEMPRE USAR VESTIDO, ao invés de calças compridas! 

            Que bobagem! Diriam os que não entendem do que estou falando. E, até certo ponto é, pois o fato histórico é irreversível, como dizem os historiadores, mas eu bem que gostaria que essa “lei” fosse revogada! Só hoje, pelo menos ou se fosse para pedir demais, sempre!

Gostaria de viajar no tempo, mas o combustível dessa viagem ainda não foi inventado, muito menos o veículo capaz de tamanha façanha. Mas estou esperando esse avanço tecnológico para fazer essa viagem fantástica, para ver você de novo!

Tocar você de novo!

Beijar você de novo!

Sabendo o que sei hoje (não sei muito, mas pelo menos SEI MUITO MAIS DO QUE NAQUELA ÉPOCA). Hoje sei, por exemplo, que não se deve TER MEDO DE SER FELIZ, por algum tipo de escrúpulo que a sociedade nos impõe. Mas... fazer o que?

Quando eu fizer essa sonhada viagem, pedirei a Deus coragem! (estaria blasfemando?) Mudarei os acontecimentos e nosso acordo será cumprido, por que não serei tomado pelo medo.

Sabe Meu Tesouro do Moxotó? Às vezes fico pensando que o que me assustou foram as nossas diferenças etárias. Hoje elas permanecem como há dez anos e estou aqui lamentando tudo. Que coisa!  

            Às vezes fico lembrando de uma coisa que sempre lhe falava: Você será o MEU ÚLTIMO AMOR! Aqui para nós dois, hoje, SEI TAMBÉM QUE ESTOU CUMPRINDO ESSA PROFECIA! Pelo menos esta! O que não quer dizer que não tive outras namoradas! Mas AMAR DE VERDADE: SÓ VOCÊ!

            Muitos beijos e abraços. EU TE AMO MESMO!