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OS SUBSTANTIVOS E OS ADJETVOS:

Os tempos são dos primeiros!

Por Genival Ferreira*

O Substantivo dá nome às coisas; os adjetivos as qualificam. Jamais esqueci essas lições de Dona Vera Maria da Costa Aquino – minha queridíssima professora primária do Grupo Escolar Rural Dr. Benjamin Caraciolo de Sanharó – Pernambuco. O que é o nome se não a identidade de algo, especialmente das pessoas e de lugares – os chamados Substantivos Próprios? .

"Mate o ‘home’, mas não lhe troque o nome", esta é uma máxima do meu Sertão. E pensando bem é verdade e faz sentido! Meu nome é Genival! Gena ou Gene por apelido carinhoso, têm o mesmo sentido! Aliás, em todos os lugares que eu gosto as pessoas me chamam mais de Gena e de Gene, do que propriamente de Genival. Assim é em Sertânia, Petrolina, Escada, Sanharó, Caruaru, Recife, Salvador, Juazeiro, João Pessoa, Campina Grande e por ai vai.

Dia desses um aluno colocou na Monografia de Graduação dele, "agradecimentos ao meu orientador Gilson Ferreira da Silva". Pense "num ar" que eu peguei! Após elogiar-lhes o trabalho, passei exatos quarenta minutos redigindo um e-mail para ele dizendo tudo que um matuto enfezado diz, quando se acha contrariado. Dentre outras coisas mostrei-lhes que ele não havia entendido nada do que eu expliquei na minha orientação acadêmica, pois "nem meu nome ele aprendeu!" E como estava frustrado eu resolvi ensinar-lhes que não se deve mudar o nome de ninguém, por hipótese alguma!

Completei dizendo que não era Gilson – "eu sou eu! Com todos os defeitos e virtudes de um ser humano, nem melhor nem pior do que o tal Gilson" - e já que ele enviou o e-mail com a monografia ao "professor orientador" de monografia dele e não a Genival Ferreira , deveria procurar mais informações sobre mim e dei o endereço eletrônico de forma irônica e até descabida, mas com toda a espontaneidade de um matuto arretado. Recebi as desculpas esperadas. Melhor para todo mundo: eu e ele.

Mas voltemos à importância dos Substantivos, em comparação com os Adjetivos: Note-se que os Adjetivos são necessários e importantes por um período de tempo até a fixação definitiva do nome. A coisa é de maneira tal que muitas vezes de tanto se "adjetivar" alguma coisa, ela passa a ser chamada pelo adjetivo, o que transforma o adjetivo (qualidade da coisa) num substantivo (nome da coisa). Exemplo: "A cidade maravilhosa" que por muito tempo foi o adjetivo do Rio de Janeiro, substantivou-se. Não precisamos mais explicitá-la, pois o mundo inteiro já sabe que a CIDADE MARAVILHOSA É A CIDADE DO RIO DE JANEIRO! Num primeiro momento o Substantivo deve ser acompanhado de Adjetivos para lhe facilitar a identificação, depois o que fica e de forma definitiva é o Substantivo de maneira inquestionável. Esse conceito é muito utilizado em publicidade e propaganda de produtos e serviços. Quando se diz que determinado produto é assim ou assado, num primeiro instante estamos adjetivando-o; num segundo momento já aceito o tal produto, se diz apenas o nome e já se sabe do que se trata.

Com as pessoas ocorre o mesmo! "Zezinho é gordo", por exemplo. Quando este fato se fixar nas cabeças das pessoas, não será preciso mais dizer o que Zezinho é, todos sabem: Gordo! Quando mais tarde alguém falar de Zezinho – (Substantivo) e outros não souberem, é que se recorrerá ao Adjetivo - Gordo, para ajudar. E pode ser até que em determinado momento o Gordo (adjetivo) seja substantivado, a exemplo da Cidade Maravilhosa.

Os indivíduos, os produtos e os serviços já devidamente "SUBSTANTIVADOS" estão uns passos à frente dos ADJETIVADOS, pois quem é e o que é não precisa de ADJETIVAÇÕES, já o é. Daí a explicação de que os tempos são dos Substantivos, mais do que dos Adjetivos.

Lições de substantivos e adjetivos são muito úteis para a prática inclusive de boas maneiras e de boas relações pessoais. Foram-se os tempos que os "detentores de qualquer foco de poder" diziam: "Eu sou ISSO!" "Me respeite!"

Embora Maquiavel (O Príncipe) nos tenha ensinado que é melhor ser respeitado pelo temor, ele acrescenta que preferencialmente temos que conquistar o amor, como fonte de respeito, caso não consigamos é que passaremos a impor receio para buscarmos o respeito. Eu particularmente sou contra a idéia que Maquiavel escreveu sobre a manutenção do poder pelo medo ao invés de pelo amor. Maquiavel justifica no seu trabalho que quando se é amado pode-se ser traído; enquanto que quando se é temido dificilmente se recebe uma traição. Eu acho que pelo contrário, quando se ama não se traí; já quando se é temido... "Um dia a casa cai".

E lembro ao leitor, só para exemplificar minha tese, que em 11 de setembro lá nos States o lamentável episódio do Word Trade Center é reflexo do que eu argumento agora.

Eu ouso comparar a lição de Maquiavel, como uma analogia à questão substantiva e adjetiva que descrevo nesta cônica. A busca do respeito pelo amor é SUBSTANTIVA, já o encontro do respeito pelo medo é uma questão ADJETIVA, portanto de menor monta.

Um professor que se respeita, não precisa dizer: EU SOU PROFESSOR! Me respeite! Todos os farão naturalmente. Assim pode ocorrer com o pai, a mãe, o irmão mais velho ou com o executivo que é naturalmente "LIDER" na organização a que servir. Para manter o poder, pois, necessita-se de amor mais do que de medo dos liderados.

Desculpe Maquiavel e todos os maquiavélicos que conheço, mas a verdadeira competência para manutenção do poder está em conquistar o amor (aspecto substantivo), o que é bem mais difícil de conseguir. Ao passo que manter o poder pelo mal que podemos causar aos liderados (aspectos adjetivos) pode ser a médio e longo prazo muito perigoso, embora seja mais fácil de conseguir de imediato.

Negar essa reflexão é desconhecer a evolução da mente das pessoas; é negar a evolução dos povos. E como sabemos "o povo não é besta".

 Professor da Universidade Federal de Roraima
Presidente da Academia de Ciências Contábeis de Pernambuco
Radialista