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Essa
eu não entendi! Genival
Ferreira*
Fico sempre muito feliz quando escuto falar sobre ferrovias.
Demonstrava isso desde a minha infância quando brincava de meu trenzinho
de lata que transportava meus bois de melancia, ou brincando com o meu
filho David Ricardo “Coração de
Leão”, quando ele ainda era um moleque de 4 anos. De qualquer forma
são 50 anos de curtição.
Falar da Transnordestina então é uma das coisas que me interessa
muito, pois foi ao longo do trecho Sertânia
– Caruaru dessa hoje apelidada “Nova Transnordestina”, que nasci
e vivi toda a minha infância.
De “Nova” a querida Ferrovia Transnordestina tem só o nome,
pois se o adjetivo foi colocado para falar de contemporaneidade ou
modernidade (termo que não gosto, pois se popularizou em 1922, com a
Semana de Arte Moderna) está no mínimo equivocado.
Saber da ligação do trecho Salgueiro
– Petrolina, que chegou inclusive a ser iniciado nos anos noventa do
século passado me deu muito mais prazer.
Parece que para contrariar essa felicidade, vejo no Diário de
Pernambuco do dia 26 de novembro último, que embora as obras devam ser
iniciadas em seis meses, o traçado não contempla Petrolina.
-
Epa, que negócio é esse? - me indago arretado. Fui ver o traçado nessa
mesma reportagem do nosso querido e histórico Diário de Pernambuco: Analisando o traçado no trecho pernambucano da ferrovia verifiquei que ele parte do Município de Eliseu Martins, no Piauí passando próximo de Araripina (que não aparece no Mapa – sic) e emenda com Salgueiro (sem passar por Petrolina – que não aparece no Mapa – sic de novo), chegando a Serra Talhada (nesse trecho aparece como “trecho em recuperação”); daí segue para Pesqueira sem passar por Afogados da Ingazeira, nem por Sertânia nem por Arcoverde (trecho já existente que poderia ser recuperado); daí por diante chega ao Recife (trecho em recuperação) e ao Porto de Suape (trecho em operação).
Restou uma esperança e/ou ao mesmo tempo, uma frustração: Ou
os tecnocratas erraram ao fazer o Mapa ou desconhecem Pernambuco,
pois o Município de Parnamirim –
PE aparece mais ou menos onde fica o Município
de Afrânio. A
esperança está exatamente nessa estupidez técnica, se este foi o motivo
de não contemplar Petrolina/Juazeiro
com seus quase quinhentos milhões de dólares/ano de PIB regional. Infelizmente
tenho a impressão que a frustração é mais provável, pois se alguém
desconhece o traçado técnico de uma ferrovia, como vai conhecer a vocação
de uma região como a nossa, para o progresso? Senhores
políticos nordestinos e pernambucanos em particular, revejam o traçado
da “NOVA TRANSNORDESTINA”, pois estão “jogando no lixo” mais de
trezentos quilômetros de ferrovia (entre Pesqueira e Serra Talhada),
já que não acredito que seja mais econômico construir um novo trecho
ferroviário, do que recuperar um já existente, principalmente com o
relevo acidentado que temos naqueles sertões do Moxotó,
do Pajeú e do Sertão Central.
E
para ampliar as perdas futuras deixaram de contemplar Petrolina
que representa atualmente o quarto PIB agropecuário, percapita do Brasil
(vide IBGE). Isso é um atentado à Gestão Eficiente
de Recursos! Não podemos permitir tamanha asneira, sem protestar! Depois
a gente fica lamentando que falte verba para tudo. Também pudera! O
Governo Federal na sua contemplação dos indicadores econômicos (maior
superávit primário da história, estabilidade de preços, etc.) fica
como um possível namorado de uma “Juliana Paes da vida” que embora
possuindo um monumento (o do Governo é o Superávit Primário), não o
utiliza para nada, pois ou “não gosta da fruta” ou não sabe saboreá-la. Para
concluir faço uma prece para minhas padroeiras prediletas: Minha
Nossa Senhora da Conceição (Padroeira de Sertânia); Minha
Nossa Senhora da Escada (Padroeira de Escada); Minha
Nossa Senhora Rainha dos Anjos (Padroeira
de Petrolina); e Minha
Nossa Senhora do Carmo (Padroeira do Recife);
Protejam nosso Querido Sertão e inspirem esses tecnocratas de
competência questionável;
Que os projetos que eles venham a elaborar, possam ser estudados
com a RESPONSABILIDADE SOCIAL e RACIONALIDADE, que todo profissional deve
possuir; Que Suas Santidades ensinem a eles estudarem Geografia, Política, Economia, Desenvolvimento Regional, Ética, etc. e aprendam isso em “trabalho de campo” e não nos Gabinetes de Brasília.
Amém!
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