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UNIVASF:
ORGULHO DE
PETROLINA (Reflexões sobre a concepção de um Pequeno
Manual para o Exercício de Quatro Mandatos Sucessivos de Reitor) Por
Genival Ferreira* Eita que maravilha nossa UNIVASF! Nasce como o grande sonho do Sertão! Após décadas de espera surge finalmente a UNIVASF como resposta à insistência de parte das lideranças pernambucanas, acadêmicas e políticas, em não patrocinarem a interiorização de nossas Universidades.. A gloriosa UFPE – Universidade Federal de Pernambuco e a não menos gloriosa UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco, seriam melhor denominadas como Universidade Federal do Recife e Universidade Federal Rural do Recife, respectivamente, já dizia o Deputado Osvaldo Coelho. Após assistirmos a interiorização das Universidades Federais de todo o Brasil, exceto Pernambuco, veio em paralelo, a criação de cerca de treze Autarquias Educacionais de Ensino Superior, patrocinadas pelos municípios cujos prefeitos enxergaram mais longe do que os nossos dirigentes políticos e universitários de há 30 anos atrás. Chegamos ao cúmulo de possuirmos duas Universidades Federais ambas servindo unicamente ao Recife ou no máximo ao Grande Recife. O que é mais lamentável é que o Recife sendo a única capital brasileira que não possui Zona Rural dispõe de uma Universidade Federal Rural. Pior para os pernambucanos, especialmente os do interior, cuja distância da Capital é de até 800 kms. De um lado Pernambuco é único Estado brasileiro com Ensino Superior municipal; mas de outro acaba sem utilizar recursos da União para interiorizar nossas Universidades Federais. Isso se chama tecnicamente de perda de potencial de alavancagem de recursos. E como aconteceram coisas estranhas nestes últimos 30 anos no meu Estado! Uma delas é que para instalar um Curso de Graduação em Ciências Contábeis na cidade de Caruaru, há cerca de cinco anos atrás, foi preciso que a Universidade Estadual da Paraíba – UEPB celebrasse um Convênio com a FAFICA de Caruaru, pois a UFPE não se dispôs a fazê-lo. Parabéns à UEPB e à FAFICA, pela iniciativa, mas lamentemos no mínimo, por este atropelo ao Pacto Federativo! Antes já havíamos viabilizado timidamente via UFPE duas turmas de Ciências Contábeis em Petrolina (Convênio com a Autarquia Educacional do Vale do São Francisco, mantenedora da FACAPE) e duas turmas de Enfermagem, nos mesmos moldes. Em Pesqueira a mesma UFPE chegou a “formar” pelo menos uma Turma de Administração de Empresas. E ficamos por aí, porque todas as outras tentativas de interiorizar o Ensino Superior em Pernambuco pertenceram ou à UPE/FESP – com uma série de Licenciaturas ofertadas; ou às Autarquias Municipais a que me referi acima. Diante de um quadro desses, surge o Grande Sonho do meu Sertão: A UNIVERSIDADE FEDERAL DE PETROLINA, que para ampliar e fortalecer as atividades da nova Universidade na Região, veio a chamar-se de FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO – UNIVASF, incorporando Juazeiro e quase todo o sertão bahiano e parte relevante do sertão piauiense. Que Beleza! No dia
13 de novembro de 2002, o Vice-Presidente Marco Maciel – pernambucano
como eu, no Exercício da Presidência, assinou o Decreto No 4.465 que “Dispõe sobre a organização administrativa da Fundação
Universidade Federal do Vale do São Francisco e dá outras providências”.
Dispor sobre a organização foi uma beleza! Mas quando das “outras providências”, o nosso Vice foi incrivelmente mal assessorado: designou a Universidade Federal do Espírito Santo para instalar, implantar e tudo praticar (tudo dentro da ética evidentemente), até o dia 31/12/2003, ou antes, dessa data com a nomeação de um Reitor e de um Vice-Reitor pro tempore. (O Governo Lula apenas ampliou as atribuições da UFES até 31/12/04, sem nem questionar). Petrolina e Juazeiro levantaram-se contra; ambas indignadas com a estranheza deste ato, pois a pergunta que se fez o tempo todo, mas ninguém respondeu, é porque a UFES? O trabalho que a UFPE vinha desenvolvendo, através do Reitor Mozart Neves e a Profa. Anita Aline, não a credenciava para a missão? E não só isso: PETROLINA É PERNAMBUCO! O pior de tudo é que quando o Reitor da UFES terminou seu SEGUNDO mandato sucessivo (PERMITIDO POR LEI), lá no Espírito Santo, veio a ser nomeado como Presidente de uma certa “Comissão Gestora da UNIVASF”, formada pasmem, por pessoas COMPLETAMENTE ESTRANHAS À PETROLINA E À JUAZEIRO. A UNIVASF a partir de então se transformou numa verdadeira CAIXA PRETA. O Reitor Pro tempore não veio e o “Presidente” da chamada “Comissão Gestora da UNIVASF”, passou a ser verdadeiramente o Reitor. Isso é muito grave do ponto de vista legal porque o Reitor da UFES havia concluído o seu SEGUNDO mandato sucessivo lá no Espírito Santo e NA PRÁTICA assumia naquele momento seu TERCEIRO mandato SUCESSIVO de Reitor, o que A LEI NÃO PERMITE. Lembremos, por oportuno, que a UFES naquele momento era a PRÓPRIA UNIVASF! Conversávamos com políticos do nosso Estado e mesmo da Bahia, que também é parte interessada; conversávamos com nossas lideranças universitárias e todos eram unânimes em indignação e lamentavam o fato de termos duas Universidades Federais, uma delas a UFPE é a melhor do Nordeste e está entre as três melhores do País; e não conseguirmos implantar com “DNA pernambucano” ou no mínimo com “DNA nordestino”, uma Universidade Federal em nosso terreiro. QUE VERGONHA! Quem tem culpa? Todos têm culpa! A UFPE, a UFRPE, a UFBA, o prefeito de Petrolina; o de Juazeiro; o Governador Jarbas Vasconcelos. Mas especialmente as lideranças políticas pernambucanas – e particularmente os Deputados do PT – que estão no Poder. E até eu tenho culpa também, porque essa crônica veio fora de hora, pois o Magnífico Reitor da UNIVASF já foi nomeado e já tomou posse. Parabéns Magnífico Reitor! O Senhor deveria ser chamado era de Sensacional Reitor (pena que sensacional não funciona como Pronome de Tratamento – quem sabe na próxima reforma da Língua Portuguesa?), ao invés de Magnífico Reitor! E para os que gostam de ganhar prêmio fazendo adivinhações, eu pergunto: Advinha quem é? Eu respondo: Exatamente o mesmo cidadão que era Reitor da UFES e ao concluir seu SEGUNDO mandato sucessivo lá, “conseguiu” ser nomeado “Presidente da Comissão Gestora da UNIVASF” o que equivale na prática ao seu TERCEIRO MANDATO SUCESSIVO DE REITOR, pois naquele instante repito:UFES e UNIVASF eram praticamente a mesma. Elaborou
o Estatuto (mas não publicou no site da UNIVASF) e “redistribui-se”
para Petrolina (Isso também é
proibido por Lei). Sobre
Redistribuição DIZ A NORMA:
“no processo de redistribuição,
o interesse da administração deverá estar devidamente explicitado e
fundamentado na sua peça inicial. Incabível, pois, a iniciativa de
servidores ou de terceiros, a qual ocorrendo torna nulo o processo”.
(Vide Instituições Federais de Ensino – Comissão Nacional de
Dirigentes de Pessoal – UFPE – Nome 444: Redistribuição de Cargo
Ocupado). Parabéns
Magnífico, pelo seu QUARTO MANDATO SUCESSIVO DE REITOR! Isso
é mais ilegal ainda! E cá pra nós se não fosse ilegal DEVERIA SER NO MÍNIMO
ANTIÉTICO! Principalmente pela forma como ocorreu todo o processo.
Aliás,
o Estatuto da UNIVASF só “apareceu” no seu site quando o “processo
eleitoral” foi concluído. Hoje verificamos que o Estatuto da UNIVASF,
homologado por um único indivíduo (ou no máximo alguns), não contempla
no seu CONSELHO UNIVERSITÁRIO A COMUNIDADE A QUE DEVERÁ SERVIR, mas essa
questão será objeto de outra crônica. Tergiversei novamente, como diz
José Teles. Os tempos são de transparência, mas o coronelismo praticado pelo Reitor “Eleito” (eleito por quem ele mesmo “elegeu”) da UNIVASF é digno dos tempos do Império. ISSO É UMA VERGONHA! Na minha terra isso se chama “troca de favores”. Parabéns senhores Deputados Federais, com quem conversei! Parabéns senhores Senadores! Pernambuco realmente está em “boas mãos”! O leitor precisa saber de outra: quem menos sabe sobre a UNIVASF nesse processo todo é o principal responsável pela nomeação do Reitor e do Vice-Reitor da UNIVASF: O Presidente Lula! Sabem por quê? Porque para ele muita coisa chega distorcida, dentro das conveniências dos interlocutores! Aqui para nós, as “futricas do Poder” que nos chegaram dão conta que sugeriram ao Ministro da Educação ou ao próprio Presidente – pernambucano como eu, que se ele nomeasse um Reitor Pro tempore pernambucano, o PT bahiano e o PT pernambucano brigariam e isso poderia implodir a base do Governo na Região. Que mentira que lorota boa! Resultado: Nomearam um capixaba que passou a perna no ingênuo PT. Eu ouvi o Presidente José Sarney dizer certa vez, citando um pensador político-social: “Quem tem o poder e não o exerce, não o merece”. Parabéns aos capixabas que estão aprendendo a “andar” em Petrolina e em Juazeiro (nem isso eles sabiam) e uma vaia a todos nós pernambucanos, porque fomos chamados de burros e estamos dizendo abestalhadamente: AH É? Parabéns aos capixabas trazidos de Vitória - ES em Aviões Boeings para aplicar/fiscalizar provas do Vestibular! E igualmente fazerem bancas de avaliação de docentes. Bem empregado: Pernambuco não possui essas coisas! (?) São muito sofisticadas! Imaginem dispormos de Docentes para participarem de avaliação de Docentes!!! Temos “apenas” a TERCEIRA UNIVERSIDADE EM EXECELÊNCIA ACADÊMICA DO PAÍS E A MELHOR DO NORDESTE! Não poderíamos ter tais recursos! A UFES com certeza os tem e provou isso! Parabéns aos capixabas que souberam (com muita falta de transparência, é verdade, mas ninguém é perfeito!) manipular politicamente toda uma comunidade como a de Petrolina/Juazeiro e ensinar-nos como se faz coronelismo de asfalto, em plena era da Informação Digital! O pior é que tudo isso foi feito “nas caladas da noite”, como sugere o Prof. Dr. Nilo Sérgio, que não conseguiu ser redistribuído para a UNIVASF, mesmo depois de ter sido solicitado pela própria UNIVASF, diga-se pelo único Presidente-Reitor do mundo. Eu duvido com toda minha indignação que fatos como estes que descrevo nesta crônica pudessem ocorrer em qualquer outro Estado da Federação Brasileira, inclusive no Espírito Santo, um dos menores Estados de nossa Federação! Com todo carinho que tenho pelo Espírito Santo! SOCORRO FREI CANECA! VOLTE DE SUA TUMBA! ESTÃO QUERENDO RETRANSFORMAR MEU PERNAMBUCO! Não numa Província do Império! Mas numa COLÔNIA! Não numa COLÔNIA DE SÃO PAULO – o maior Estado do País! Mas Numa Colônia do ESTADO DO ESPÍRITO SANTO! Mas senhores leitores tenham calma, caso Frei Caneca não atenda o meu pedido, o DIVINO ESPÍRITO SANTO O FARÁ! Amém! *Professor
da UFPE |
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